Carnaval pet exige cautela com fantasias e bem-estar dos animais

11 de Fevereiro, 2026 Carnaval pet exige cautela com fantasias e bem-estar dos animais

Fantasiar cães e gatos no carnaval virou tendência nas redes sociais, com produções cada vez mais elaboradas e criativas. Mas, em meio à busca por curtidas e diversão, cresce também o alerta de especialistas sobre os limites entre o entretenimento dos tutores e o bem-estar dos animais. Em um período marcado por altas temperaturas em grande parte do país, o uso de fantasias exige atenção redobrada para evitar estresse, superaquecimento e até riscos à saúde dos pets.

Segundo a médica veterinária e executiva de clínicas da Plamev, Bruna Corrêa, vestir o animal não é, por si só, uma prática proibida, mas deve ser avaliada individualmente. "Fantasiar o pet pode parecer inofensivo, mas nem sempre é confortável para o animal. O uso de fantasias não é contraindicado, desde que não cause desconforto físico ou emocional", explica.

Antes de apostar em qualquer acessório, a recomendação é observar se o pet tolera bem a roupa e se ela não limita seus movimentos nem favorece o aquecimento excessivo.

"O tutor deve verificar se não há restrição de movimentos, compressão do tórax ou abdômen, aquecimento excessivo ou peças pequenas que possam ser ingeridas. Se o acessório interfere na respiração, visão ou audição, ele não deve ser utilizado", alerta Bruna. Alterações no comportamento também funcionam como sinal de alerta. "Animais que demonstram estresse, tentam retirar a fantasia ou ficam apáticos não devem ser fantasiados", acrescenta.

A médica veterinária Andressa Alves, supervisora de auditoria, reforça que o conforto deve sempre prevalecer sobre a estética. "Fantasiar o pet pode ser muito divertido, mas é importante lembrar que nem sempre é confortável ou seguro para ele. Antes de colocar qualquer acessório ou roupa, é preciso pensar no bem-estar dele", afirma.

Ela chama atenção, sobretudo, para o calor intenso característico do carnaval brasileiro: "A fantasia não pode apertar, atrapalhar os movimentos, a respiração, a visão ou a audição do pet. Prefira tecidos leves e macios e evite partes pequenas que ele possa engolir. Também é importante pensar no calor, porque eles podem superaquecer rapidamente, principalmente em dias quentes."

Quando a escolha pela fantasia é mantida, o tempo de uso deve ser limitado e sempre com supervisão.

"É necessário observar o animal e ficar atento aos sinais de estresse, como tremores, agitação, lamber ou coçar demais, tentar se esconder, salivar muito, respirar rápido ou até recusar comida. Se algum desses sinais aparecer, a fantasia deve ser tirada imediatamente", orienta Andressa. Caso os sintomas persistam, a recomendação é procurar um médico veterinário.


Fonte: O Globo

Imagem: IA/Gemini