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Saber como desengasgar um cachorro é um dos cuidados mais delicados que um responsável por animais pode enfrentar.
O engasgo é uma situação que pode evoluir rapidamente para risco de vida, exige ação imediata e, ao mesmo tempo, envolve decisões que, se tomadas de forma inadequada, podem agravar o quadro.
A falta de informação clara sobre o que realmente deve (ou não) ser feito nesses momentos torna o cenário ainda mais complexo. E é importante reforçar: nem sempre tentar desengasgar em casa é a melhor escolha.
A médica-veterinária Talita Ellen Pastore (CRMV-45887) explica que a intervenção caseira só é indicada em situações muito específicas, quando há obstrução real da via aérea e o cão não consegue respirar adequadamente.
Se o animal ainda está respirando, mesmo com tosse, desconforto ou parecendo engasgado, a conduta mais segura costuma ser não insistir em tentativas improvisadas e procurar atendimento veterinário imediatamente.
Manobras feitas sem critério podem empurrar o objeto para uma posição mais perigosa, causar lesões na garganta, provocar aspiração de alimento ou atrasar o socorro correto.
A veterinária reforça que o objetivo de qualquer tentativa de primeiros socorros não é “resolver o problema” em casa, mas ganhar tempo quando há risco imediato de vida, até que o cachorro receba atendimento profissional adequado.
Neste conteúdo, você vai entender como reconhecer um engasgo de verdade, quais sinais indicam emergência, quando agir e como realizar os primeiros socorros com segurança. Tudo com orientações técnicas e explicações claras, como em uma consulta veterinária.
Como saber se o meu cachorro está engasgando de verdade?
Nem todo cão que tosse, faz barulhos estranhos ou parece desconfortável está, de fato, engasgado.
Por isso, antes de qualquer tentativa de primeiros socorros, o passo mais importante é entender se existe uma obstrução real da via aérea ou se o quadro se trata de uma condição que apenas imita o engasgo.
O engasgo verdadeiro acontece quando algo bloqueia parcial ou totalmente a traqueia, dificultando a passagem do ar.
Nessas situações, o cachorro costuma apresentar dificuldade clara para respirar, com esforço intenso para inspirar (caracterizado por tentativas repetidas de puxar o ar sem sucesso), além da possível perda da capacidade de latir ou vocalizar.
Em quadros mais graves, a língua, as gengivas ou os lábios podem adquirir coloração arroxeada ou azulada. Um sinal evidente de que a oxigenação do sangue já está comprometida e de que se trata de uma emergência absoluta.
Qual a diferença entre engasgamento parcial e engasgamento total em cães?
A médica-veterinária Talita Ellen explica que quanto mais próximo o quadro está de uma obstrução total, menor é a margem para erro.
No engasgamento parcial, ainda passa uma pequena quantidade de ar, o que geralmente provoca ruídos respiratórios e agitação.
Quando o engasgamento é total, praticamente não há passagem de ar, o que pode levar ao silêncio respiratório, colapso rápido e perda de consciência em poucos minutos.
Essa distinção é essencial para entender a gravidade da situação e definir os próximos passos com segurança.
Situações que parecem engasgo, mas não envolvem obstrução da traqueia
Existem condições relativamente comuns que assustam o tutor, mas que não são engasgos de verdade, como:
- tosse intensa;
- ânsia;
- tentativa de vomitar;
- irritação da garganta.
Um caso clássico é o colapso de traqueia, em que o cão apresenta um som alto e característico, muitas vezes comparado ao grasnar de um ganso.
Nessas situações, apesar do desconforto evidente, o pet geralmente ainda consegue respirar, o que muda completamente a conduta indicada.
Quando os sinais são mais sutis e aparecem aos poucos
A veterinária também alerta que nem sempre um corpo estranho provoca sintomas intensos logo no início. Em alguns casos, o objeto não é grande o suficiente para causar obstrução imediata e pode apresentar sinais mais discretos ao longo do tempo.
Entre os sinais mais sutis estão apatia, perda de apetite, desconforto ao engolir e mudanças no comportamento, como demonstrações de dor ou até dificuldade para realizar as necessidades normalmente.
Esses quadros não devem ser ignorados, pois podem evoluir ou indicar a presença de um corpo estranho ainda não identificado.
Como desengasgar um cachorro em casa? Veterinária explica o que fazer
As orientações a seguir explicam o que pode ser feito em situações específicas de emergência e em quais momentos a tentativa deve ser interrompida.
O conteúdo é baseado nas recomendações da médica-veterinária Talita Ellen Pastore (CRMV-45887) e tem caráter informativo, sem substituir a avaliação veterinária.
Avaliação inicial
Antes de qualquer intervenção, o primeiro cuidado é avaliar a respiração. Essa avaliação define se alguma ação imediata pode ser considerada ou se o mais seguro é não tentar nada em casa e buscar atendimento veterinário.
Verifique se o cachorro ainda está respirando
Quando o cachorro ainda respira e há passagem de ar pelas vias respiratórias, não se deve tentar manobras em casa.
A conduta mais segura é interromper qualquer tentativa e levar o animal para atendimento profissional, já que intervenções desnecessárias podem deslocar o objeto, provocar trauma local nas vias aéreas ou agravar o quadro.
Na ausência de respiração adequada, presença de colapso ou sinais claros de asfixia, a situação passa a ser de risco imediato de vida, e medidas de primeiros socorros podem ser consideradas apenas como suporte emergencial.
Fazer apenas uma inspeção visual rápida
Em situações graves, pode ser feita uma inspeção visual rápida. Abra a boca com cuidado, puxe levemente a língua para frente e observe o interior da cavidade oral por poucos segundos.
Essa etapa serve apenas para verificar se existe algo claramente visível na região da garganta. Não forçar a abertura nem insistir caso haja muita agitação.
Remoção manual
A remoção manual não é uma manobra de desengasgo e só deve ser considerada quando o corpo estranho está claramente visível, solto e fácil de alcançar. Antes de qualquer tentativa, é importante confirmar:
- O objeto está visível na boca ou garganta;
- Existe acesso fácil, sem empurrar para dentro;
- Há condições de fazer isso com calma e segurança.
Quando essas condições são atendidas, pode-se utilizar uma lanterna e uma pinça, sempre com movimentos delicados e atenção redobrada.
Nunca tentar “procurar” o objeto às cegas com os dedos. Essa atitude pode empurrar o corpo estranho ainda mais para dentro, alcançando regiões como a faringe e a laringe ou provocar aspiração do conteúdo.
Em alguns casos, essa aspiração pode evoluir para pneumonia aspirativa, uma complicação grave causada pela entrada de alimento ou objetos nas vias respiratórias.
Se o objeto não estiver visível ou não puder ser retirado com facilidade, a tentativa deve ser interrompida.
Manobra de Heimlich em cães
A manobra de Heimlich não é a primeira opção em casos de engasgo. De acordo com a veterinária Talita Ellen, essa técnica só deve ser considerada quando há obstrução grave da via aérea, com ausência de respiração adequada, sinais claros de asfixia ou colapso.
Com respiração preservada e sem sinais de asfixia, a manobra não é indicada. A compressão pode deslocar o corpo estranho e causar traumas internos.
Quando realmente indicada, a técnica precisa ser aplicada com cuidado e de forma adequada ao porte do cachorro.
Como fazer a manobra de Heimlich em cães pequenos
Em cães de pequeno porte, as compressões devem ser mais suaves, realizadas atrás das costelas, sempre com controle total do corpo. A força excessiva pode causar lesões graves, por isso o cuidado deve ser redobrado.
Passo a passo:
- Sustentar o corpo com firmeza, mantendo controle total do movimento.
- Posicionar as mãos atrás das costelas, com cuidado redobrado por causa do porte.
- Realizar compressões suaves para dentro e para cima, sem aplicar força excessiva.
- Fazer uma série curta de 5 compressões.
- Reavaliar rapidamente a boca após a série, sem manipular às cegas.
- Buscar atendimento veterinário, mesmo com melhora aparente.
Como fazer a manobra de Heimlich em cães médios e grandes
A orientação é posicionar-se atrás do cachorro, envolver a região logo abaixo das costelas e realizar compressões firmes para dentro e para cima, em séries curtas. Após cada série, a boca deve ser reavaliada rapidamente para verificar se houve deslocamento do objeto.
Passo a passo:
- Posicionar-se atrás do cachorro, garantindo controle do corpo e mantendo estabilidade.
- Localizar a região logo abaixo das costelas, onde será feita a compressão.
- Envolver o abdômen nessa região e aplicar compressões para dentro e para cima, com firmeza e controle.
- Fazer uma série curta de 5 compressões.
- Reavaliar rapidamente a boca após a série, apenas para verificar se houve deslocamento do objeto.
- Após a manobra, o cão deve ser observado continuamente até receber avaliação profissional.
Por que as séries devem ser curtas e reavaliação rápida?
A recomendação de séries curtas e reavaliação serve para evitar compressões prolongadas sem necessidade e para verificar rapidamente se houve deslocamento do corpo estranho, sem perder tempo antes do atendimento profissional.
Fonte: Cobasi
Imagem: IA/Gemini